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Fórum estimula criação de APLs
25 de maio de 2006, Jornal do Commercio


Também conhecido como APL, o Arranjo Produtivo Local pode ser definido como o movimento associativista de Empresas de uma determinada região para baixar os preços de fornecedores, reduzir os custos com o marketing e também gerar lucros. A iniciativa já vem dando frutos em várias cidades, como Nova Friburgo, Cabo Frio e Itaperuna, no Estado do Rio de Janeiro, conhecidos pólos de moda íntima feminina, moda praia e moda noite, respectivamente. Só no ano passado o Governo Federal registrou a existência de 957 APLs em seus diferentes estágios de desenvolvimento, com informação de 37 instituições federais e estaduais. Só no Estado do Rio Janeiro, o número já chega a 51 APLs.

Para discutir esse assunto, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RJ), realizou ontem o I Encontro dos APLs do Estado do Rio de Janeiro.

Comprovar a eficácia da ação e estimu lar a criação de novos Arranjos foram alguns dos objetivos do evento, que teve a participação de Tito Ryff, secretário de Estado de Planejamento e Coordenação Institucional, José Lerer, superintendente de Desenvolvimento Regional da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, Cândida Maria Cervieri, gerente do departamento de Desenvolvimento de Micros, Pequenas e Médias Empresas do Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, entre outras autoridades; e empresários participantes de APLs de todo Rio de Janeiro.

O crescimento do número de APLs é uma das metas do Governo Federal, afirmou Cândida Maria Cervieri, do Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior. Segundo ela, a importância não está restrita à Brasília, mas se estende por todos os governos estaduais. Segundo Tito Ryff, o processo de desenvolvimento está intrinsecamente ligado aos APLs. "Os Arranjos Produtivos Locais fazem parte de um planejamento estratégico do nosso Estado. É uma das formas de declararmos que estamos em sintonia com o século XXI", explicou o secretário.


Importância que vem sendo cada vez mais confirmada com o crescimento de pólos como Nova Friburgo, e Petrópolis, na Região Serrana do Rio, e também com a criação de novas áreas, como Belford Roxo, na Baixada Fluminense. "Nosso APL surgiu espontaneamente. Estudamos a região e verificamos as nossas potencialidades. Percebemos que nossa maior vocação era a moda íntima, e em 2002 começamos a nos organizar de forma mais estruturada. Hoje, temos mais de 450 empresas formais do setor, e juntando com as informais temos, aproximadamente, 1.100", conta Claúdio Tângari, presidente do Conselho de Moda de Nova Friburgo. Um trabalho que só trouxe vantagens para a cidade e para sua população. "Com a união conseguimos grande aumento do tempo de vida das empresas. Também criamos uma marca: as lingeries de Nova Friburgo", testemunha.

Para Cláudio Seixas, proprietário da empresa de Tecnologia da Informação (TI), Websoftware, e participante ativo do APL de TI de Petrópolis, a maior vantagem é a força que a união dá junto ao Governo. "As pequenas e microempresas não teriam condições de sobreviver sozinhas. Juntos temos mais força com o governo e com diversas outras entidades. Também conseguimos descobrir isenções e incentivos fiscais que nos dão, e que a maioria nem sabe que existe", alerta.

Um caminho que o município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, quer trilhar a partir de agora. Com a união de pequenas empresas de calçados do bairro Lote 15, a prefeitura do município pretende investir na criação de um APL. "Há uma concentração de pequenos negócios nessa área e, hoje, já temos 15 pequenas empresas prontas para a formalização. Queremos fazer da fabricação de calçados a vocação da nossa cidade", justifica Roberto Peçanha, secretário de Desenvolvimento Econômico do município de 500 mil habitantes.

Outra vantagem que faz com que Peçanha e outras autoridades estimulem a criação de APLs é a exportação. Exemplos como o de Nova Friburgo mostram que o sucesso não só cria uma marca no País, como também transforma uma área em exportadora de produtos para diversos países, como Estados Unidos, Espanha, Portugal e toda a América do Sul. "Em 2000, tínhamos 11 empresas que exportavam. Ano passado, foram 73 empresas que exportaram sua moda para mais de 30 países.

A tendência é que esse número só aumente com o passar do tempo e que nos consolidemos como pólo de moda íntima", frisa Tângari. Um crescimento que só faz com que o Sebrae/RJ invista em cursos e incentive mais o tema. "Queremos, cada vez mais, promover a integração econômica regional. Os APLs são um dos passos mais importantes nesse esquema. Com o sucesso das ações, quem ganha é a própria população por meio da geração de lucros e empregos", conclui Bento Gonçalves, diretor do Sebrae/RJ.

Publicada em: 15/05/2006 às 00:00 Seção: Seu Negócio

[25/05/2006]



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